Saiba mais sobre a Fisioterapia na Síndrome de Down







A Síndrome de Down ocorre ao acaso durante a divisão celular do embrião. Na célula normal do homem existem 46 cromossomos divididos em 23 pares e as pessoas com SD possuem 47, sendo o cromossomo extra ligado ao par 21.

Identificação

A identificação da Síndrome de Down ocorre através de testes de cariótipo realizado no feto ainda nos primeiros meses de gravidez, podendo se manifestar de três modos: 95% possuem não disjunção simples: Ocorre quando a pessoa possui 47 cromossomos em todas as células, 4% translocação: Ocorre quando um cromossomo extra do par 21 fica grudado em outro cromossomo e 1% Mosaicismo: A alteração genética compromete apenas parte das células, ou seja algumas células têm 47 e outras 46 cromossomos.

Características

Na Síndrome de Down são observados um decréscimo do peso do cérebro, e uma simplificação em seu padrão giriforme. Os portadores de Síndrome de Down apresentam risco maior de sofrer doenças cardíacas congênitas, refluxo gastroesofágico, otites recorrentes, apneia de sono obstrutiva e disfunções da glândula tireóide. A Síndrome de Down é um evento genético natural e universal, estando presente em todas as raças, gêneros e classes sociais.
Essa síndrome é tipicamente associada a atrasos de crescimento e desenvolvimento, devido a hipotonia, características faciais específicas e deficiência intelectual leve à moderada. As alterações neuroanatômicas da Síndrome de Down afetam os hemisférios cerebrais e cerebelares, ponte ventral, corpos mamilares, vermis cerebelar, substância branca parietal, córtex pré calcarino e formações hipocampais, que encontram-se reduzidos, enquanto o giro para-hipocampal mostra-se maior.

Desenvolvimento motor

O desenvolvimento motor é um processo contínuo de mudanças na capacidade funcional e habilidades motoras do indivíduo, que dura toda a vida e está diretamente relacionada à idade, porém, independe dela. Ele ocorre à medida que a idade avança, porém, pode diferir entre pessoas da mesma idade, e ser mais rápido ou mais lento em determinados períodos da vida

A hipotonia está presente em todos os indivíduos, porém sua apresentação é variável. Essa condição, associada a frouxidão ligamentar, além de alterações do equilíbrio, faz com que as crianças com SD apresentam atraso no desenvolvimento motor global quando comparadas às crianças típicas, inclusive nas aquisições motoras como, sustentar a cabeça, rolar, sentar, arrastar, engatinhar, andar e correr. Por exemplo, a capacidade de rastejar, geralmente ocorre em torno dos oito meses, em vez dos cinco meses, e a capacidade de marcha independente geralmente ocorre somente em torno de 21 meses ao invés dos 18 meses

Benefícios da Fisioterapia

A fisioterapia inclui a terapia no solo e a estimulação psicomotora, onde são utilizados objetos como espelhos, bolas, espumas, tatame, circuitos e diversos brinquedos educativos que estimulam os sentidos. Seus principais benefícios são:

  • Combater a hipotonia, que é quando a criança tem a força muscular diminuída, e fica sempre muito molinha;
  • Favorecer o desenvolvimento motor e ajudar a criança a aprender a segurar a cabeça, sentar, rolar, ficar de pé e andar;
  • Desenvolver ou melhorar o equilíbrio nas diversas posturas, como sentado e de pé, para que ele não fique cambaleando quando tenta ficar de pé ou precisa andar de olhos fechados, por exemplo;
  • Tratar a escoliose, evitando que a coluna fique muito danificada e dificulte as mudanças de postura.

A técnica de Bobath também é uma boa forma de estimular o desenvolvimento da criança com Síndrome de Down e consistem em exercícios realizados no chão ou com a bola, que trabalham os dois lados do corpo e o contralateral a fim de melhorar o desenvolvimento do sisteme nervoso da criança.

O uso de bandagens que são uma espécie de fita cola colorida que é aplicada na pele também é um recurso que pode ser utilizado para facilitar o aprendizado de tarefas como conseguir sentar sozinho, por exemplo. Nesse caso, a fita cola pode ser aplicada cruzada na barriga da criança para que ela tenha mais firmeza e consiga levantar o tronco do chão, já que para realizar esse movimento é preciso um bom controle dos músculos abdominais, que geralmente são muito fracos em caso de Síndrome de Down.

Tratamento de Fisioterapia

A fisioterapia deverá ser iniciada o mais cedo possível, assim que houver liberação médica para isso. Quanto mais precoce iniciado o tratamento, mais benefícios a criança poderá ter, visto que "a plasticidade neural tem sua maior intensidade nos primeiros meses de vida"

O objetivo da fisioterapia para essas crianças, portanto, não é acelerar a taxa de desenvolvimento, como é frequentemente presumido, mas sim facilitar o desenvolvimento de bons padrões de movimento. Isso significa que, a longo prazo, ajuda-se a criança a desenvolver uma boa postura, um alinhamento adequado dos pés, um padrão de caminhada eficiente e uma boa base física para o exercício ao longo da vida

O fisioterapeuta deve determinar o que motiva o paciente. É mais provável que a criança com SD se mova quando há algo que a motive. Por exemplo, ela pode rastejar para chegar a um brinquedo favorito. Ao praticar habilidades motoras, o sucesso e o prazer da criança dependerão de como são as atividades, quais tipos de materiais são utilizados e onde você os coloca

Os brinquedos são um bom suporte para auxiliar a mudança de transição da criança, visto que, pelo interesse pelo brinquedo ela vai se deslocar e mudar de posição. As brincadeiras auxiliam tanto para atividade motora quanto para atividade, estimulação, mental e afetiva

A evolução básica do fisioterapeuta seria primeiro, se introduza a atividade para que a criança sinta e tolere o movimento. Em segundo lugar, ajude-a a se familiarizar com a atividade e entender o que deseja que ele faça. Em terceiro lugar, deve-se praticar a atividade em conjunto e diminuir gradualmente o apoio. Em quarto lugar, o progresso em direção à independência. O objetivo final é que a criança com SD domine a atividade e seja capaz de fazê-la por conta própria.

Crianças com síndrome de Down têm um estilo de aprendizagem único, e precisamos compreendê-las e respeitá-las. A terapia deve ser individualizada, pois cada criança possui um ritmo de desenvolvimento, ainda que apresente a mesma condição genética. O fisioterapeuta deve certificar-se de que as sessões de fisioterapia proporcionem um ambiente de aprendizagem agradável para as crianças, para que elas sejam motivadas e deve-se encorajar os pais a fazerem o mesmo em casa.




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